CRP 06/37187-SP

 

 

 

TEXTOS INTERESSANTES

  1. O ADOLESCENTE E SEU GRUPO
  2. CRIANÇAS QUE TEM MEDO DE ESCURO
  3. O BULLYING
  4. DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM
  5. QUAL A DIFERENÇCA ENTRE PSICOLOGIA E PSICANÁLISE?
  6. VIOLÊNCIA NA MÍDIA E AAGRESSIVIDADE EM CRIANÇAS

 


O ADOLESCENTE E O SEU GRUPO

O grupo pode ter um comportamento ético ou, por outro lado, possuir comportamentos rudes, impulsivos e violentos. A individualidade do adolescente é recalcada para que a psicologia de grupo possa emergir. É comum observarmos um indivíduo fazendo ou aprovando coisas, quando está com o seu “bando”, que nunca faria no seu dia-a-dia. Percebemos, portanto, que o adolescente, quando está com o seu grupo, perde muitas vezes seu poder de crítica. Este mecanismo ocorre como se fosse um contágio.

Para que este grupo funcione, os indivíduos pertencentes a ele precisam estar em busca de um mesmo ideal e a relação dos membros bem como a estrutura do grupo será definida a partir do comportamento de cada membro deste grupo.

Atualmente observamos a existência de vários movimentos de grupos formados por adolescentes, uns duradouros outros não, cujos compontentes têm um ideal ou vários ideais em comum. Acredito que quanto mais aspectos comuns os componentes do grupo tiverem, mais duradouro o grupo será.

A criança busca se identificar com os pais (idealizados), porém na adolescência ocorre a perda destes pais infantis (idealizados), o adolescente passa a perceber que assim como ele, seus pais não são tão perfeitos como imaginava.

A adolescência é uma fase difícil de ser vivida, pois é repleta de escolhas, e marcada por conflitos, mudanças corporais, “lutos” infantis (perda do corpo e da forma infantil de pensamento). Muitos grupos de adolescentes se constituem por estes pontos ou características em comum, outros grupos se constituem apenas por diversão.

Podemos concluir, portanto, que o grupo que se forma na adolescencia vem com a necessidade de cada membro de buscar novas identificações, já que não se identificam com seus pais do mesmo modo que o faziam na infância, estes pais que anteriormente eram considerados perfeitos para a criança e que agora são vistos como indivíduos repletos de falhas, como eles próprios.

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CRIANÇAS QUE TÊM MEDO DE ESCURO

Com o aparecimento da escuridão a criança coloca seu aparelho psíquico em ação, imaginando fantasmas e bichos papões. É geralmente no momento em que a criança fica sozinha, consigo mesma, em seu quarto, que emerge o medo e isto é, muitas vezes, um bom motivo para ela querer dormir mais tarde, e “enrolar” para se preparar para ir para a cama.

O medo do escuro é o medo mais comum nas crianças, devemos encará-lo com bom senso, pois geralmente isto não está nos apontando um quadro fóbico. O ficar sozinha, com seus pensamentos, transforma a criança em uma verdadeira realizadora de filmes de terror enchendo sua cabeça com imagens assustadoras. Quando as luzes se apagam, o aparelho psíquico que estava ocupado com imagens reais que vinham do exterior da criança, começa a se ocupar com as imagens que vêm do seu interior.

O medo de escuro não acontece geralmente com bebês com menos de um ano e meio pois antes desta idade estes não conseguem fazer representações mentais de imagens da mesma forma que as crianças um pouco mais velhas. O medo de escuro geralmente não atinge até a idade adulta, desaparecendo ainda na infância ou na adolescência.

Temos que considerar que somos guiados pelo sentido da visão, tudo aquilo que não vemos tem forma, cor, tamanho desconhecidos. Isto pode causar medo nas crianças. É importante, portanto, que os pais conversem com seus filhos argumentando que tudo o que existe no escuro, existe tambem no claro e vice-versa. Os pais devem, tambem, conversar sobre como está difícil para a criança lidar com o desconhecido e se separar dos pais no momento de dormir. Esta conversa tem que ser acessível ao entendimento da criança.

Os pais podem tentar perceber se a fonte do medo do escuro é a angústia de separação na hora de dormir, se aconteceu algo com a criança durante o dia que a deixou aflita ou se existem questões anteriores que estão lhe atormentando.

Uma forma de ajudar a criança é fincando em seu quarto enquanto ela adormece, como tambem, deixar uma pequena luz acesa (por ex a luz do banheiro). Nos casos em que a criança acorda aterrorizada durante a noite, sofre com seus pesadelos, e seus medos são intensos e frequentes, é positivo que os pais procurem a ajuda de um Psicólogo.

Os pais não devem fazer os seus filhos se confrontarem forçadamente com seus medos. Isto de nada adiantaria podendo aumentar ainda mais o problema. Deve-se usar o bom senso, apoiando e compreendento a criança. Ao mesmo tempo os pais devem dar importância a este fato na dose certa para que o medo do escuro na criança não seja ainda mais “alimentado” pela aflição e ansiedade dos pais, gerando ganhos secundários para os filhos.

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O BULLYING

O bullying é sem dúvida o grande vilão nas escolas. A relação entre os alunos merece grande atenção. Muitas vezes ao entrar em uma sala de aula, o professor vê os alunos eufóricos, todos falando ao mesmo tempo. Frequentemente presencia cenas em que um colega ridiculariza o outro. Ouve frases como: “lá vem o gordo”, “olha lá o garoto espinha”, “lá vem a dentuça”, etc. Não é raro o professor ver um dando tapas no outro, atirando objetos. Ao contrário do que muitos pensam, os “jovens não são assim mesmo” e “este tipo de comportamento não é normal”.    Embora este tipo de conduta não seja normal, é comum. Este é o maior vilão escolar: o bullying. Ele ocorre quando crianças e adolescentes recebem apelidos que os ridicularizam e acabam por sofrer humilhações, ameaças, intimidações, roubos, agressões moral e física por parte dos colegas. Entre as conseqüências estão (no mínimo) o isolamento e a queda do rendimento escolar.

Quando não há intervenções efetivas contra o bullyng, o ambiente escolar torna-se
totalmente contaminado. Todas as crianças, sem exceção, são afetadas negativamente,
passando a experimentar sentimentos de ansiedade e medo. Alguns alunos, que testemunham
situações de bullyng, quando percebem que o comportamento agressivo não traz
nenhuma conseqüência a quem o pratica, poderão achar por bem adotá-lo.

Provavelmente este comportamento de apelidar os colegas seja uma estratégia compensatória com o intuito de se sentirem mais “enturmados” e os outros que seguem este líder o fazem como estratégia de defesa, para não serem, da mesma forma, ridicularizados.

Existem, entretanto, maneiras preventivas de lidar com o problema. Você, professor pode orientar os alunos a serem receptivos e a integrarem quem ingressou no colégio recentemente, explicando que ali não se tolera o bullying. Isso evita o isolamento e o pré-julgamento do novato, que aprende a procurar ajuda.

Tambem é positivo que cada professor utilize a sua própria matéria para tratar do assunto, por exemplo, o professor de portugues pode solicitar aos alunos que façam uma pesquisa e redação sobre o tema, o professor de Ed Artística pode realizar com os alunos uma montagem de cartazes de protesto conta o bullying, o professor de teatro pode montar com a turma uma peça que fale deste assunto, a psicologa da escola pode fazer dinâmicas de grupo abordando o tema. Ao surgir uma situação em sala, a intervenção deve ser  imediata. Interrompe-se a aula para colocar o assunto em discussão e relembrar os combinados. Os alunos devem ser incentivados a denunciar ao professor ou ao coordenador do colégio qualquer ocorrência que denote situação de humilhação.

É necessário que tanto a família do agressor como do agredido seja alertada em relação aos benefícios de serem atendidos por uma psicologa para que o agressor possa elaborar a sua agressividade e a necessidade de ter que eleger este tipo de recurso para poder ser aceito pela turma. A família da vítima, por sua vez, deve procurar a ajuda de um psicólogo para que possam averiguar quais os motivos que o faz se submeter a tais situações, aceitando para sí tais agressões, tomando para si este sentimento de fracasso.

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DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

Para a maioria das crianças que passam por dificuldades de aprendizagem, a causa do problema não está no nível da classe a que chegaram, mas sim em um nível inferior a este, no nível das bases.

A aquisição dos elementos básicos, chamados tambem de pré-requisitos, são as condições necessárias para o êxito na aprendizagem. Esta é a estrutura da educação e tambem da reeducação psicomotora.

A criança que tem o esquema corporal mal constituído não coordena bem os seus movimentos, é atrasada quando se despe, toma banho e as atividades manuais lhe são difíceis. Na escola sua caligrafia é feia, e sua leitura não é harmoniosa, sendo muito pausada e sem ritmo.

Uma criança cuja lateralidade não está bem definida encontra problemas de ordem espacial, pois, não tendo se definido como destra ou canhota apresenta dificuldade em distinguir a esquerda e a direita em si, nos outros e nos objetos, tendo dificuldade de seguir a direção correta na hora da escrita (da esquerda para a direita e de cima para baixo).
Esta deficiência na perecepção espacial faz com que a criança tenha dificulade de distinguir o “b” e o “d”, o “p” e o “q”, o “n” e o “u”. As dificuldades em relação à orientação espacial acarreta, além de dificuldades na área da escrita, como mencionado no parágrafo acima, problemas na área da matemática pois o aluno sente dificuldade em posicionar os números corretamente quando realiza uma soma ou uma subtração visto que lhe é difícil posicioná-los de forma correta em fileiras ou colunas.

Os problemas quanto à orientação temporal , como por exemplo a noção do antes e depois, acarretam confusão na ordenação dos elementos de uma sílaba. A criança sente dificuldade em reconstruir uma frase cujas palavras estejam misturadas. Problemas em relação a orientação temporal acarreta tambem dificuldade em compreender a noção de ritmo: ordem e sucessão temporal, duraçao, e alternância.
Um bom desenvolvimento psicomotor é fundamental para que o aluno tenha um adequado rendimento em seu aprendizado. A reeducação psicomotora é realizada com aquelas crianças que sofrem dificuldades ou atrasos psicomotores. Primeiramente, através da entrevista com os pais, de encontros com a criança em sessões livres e sessões para a realização de testes (de personalidade, de capacidade intelectual, viso-motor, psicomotor) é realizado um diagnóstico para a verificação das aquisições e carências e, a partir daí, é estabelecido um programa de reeducação psicomotora.

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QUAL A DIFERENÇA ENTRE PSICOLOGIA E PSICANÁLISE?

É importante compreendermos a diferença entre a psicanálise e as outras terapias. Para tanto podemos lançar mão de um antigo ditado: "Todos os caminhos levam a Roma". As terapias seriam todos os caminhos e a psicanálise seria um deles. A psicanálise portanto é um tipo de terapia, que possui um campo teórico e técnicas que lhe são particulares.

Mas onde se pretende chegar através da psicanálise? Existem pacientes que se dispõem a percorrer este caminho e o iniciam por diversos motivos: autoconhecimento, angústias, depressão, sintomas físicos dos mais diversos sem causa orgânica, etc... , porém mais importante de onde se parte é para onde se deseja chegar. Nesse sentido a psicanálise é um processo de autoconhecimento, é a análise de si mesmo com a ajuda de um profissional - o psicanalista, que geralmente cursou a faculdade de Psicologia ou a de Medicina (Psiquiatria) e realizou posteriormente uma especialização em Psicanálise.

De forma geral os sintomas, seja qual a forma que ele tome na vida de uma pessoa, são substitutos de processos inconscientes: traumas, desejos, etc... que permanecem a margem de nosso conhecimento. Quando tomamos contato com eles e os integramos de forma harmonica ao nosso psiquismo, os sintomas tendem a desaparecer. Nem sempre esse processo é prazeroso, e é verdade que muitas vezes ele é difícil, mas no final das contas é extremamente compensador. A psicanálise portanto é um processo de "reconstrução" de nós mesmos, escolhendo caminhos que muitas vezes estavam fechados, e com isso abrindo caminho para a mudança de nosso futuro. É importante entender e frisar que como toda terapia da fala, o desejo do paciente pela mudança é a força motora do processo, e que sem que haja o desejo nada pode acontecer.

Como já afirmado no parágrafo anterior, os sintomas, as angustias, nada mais são do que substitutos de nossos conflitos inconscientes. Esses conflitos foram gerados em uma época em que a nossa consciencia não podia elaborar estes conflitos. No processo psicanalítico, estes conflitos, desejos inconscientes são trazidos para a consciência, de forma que o ego adulto possa equacioná-los da melhor forma possível. Por isso que a psicanálise é um processo de autoconhecimento e, através dela os conflitos inconscientes são trazidos a tona e elaborados, gerando melhoria nos sintomas e um aumento considerável na qualidade de vida do paciente.

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VIOLÊNCIA NA MÍDIA E A AGRESSIVIDADE EM CRIANÇAS

Atualmente, a televisão é a principal fonte de informação e modelo a ser seguido, papel este que deveria ser cumprido pela família. As crianças ficam cada vez mais tempo em frente à TV, até mesmo na companhia dos pais, que na maioria das vezes apenas assistem aos programas sem se preocupar em avaliar o seu conteúdo.
A televisão deveria ser apenas uma das opções de lazer, as crianças não deveriam ficar muito tempo em frente a ela, deveriam realizar tambem outras atividades como: esporte, jogos, brincadeiras, opções culturais.
A TV deveria ter um papel mais positivo no processo da educação das crianças, estimulando, transmitindo conhecimentos úteis, promovendo a inteligência e a aquisição de valores mais aceitáveis socialmente.
Os altos índices de cenas violentas nos programas de televisão e sua influência sobre o comportamento das crianças tem despertado preocupação nos educadores.

O conteúdo dos programas de televisão mudou muito nos últimos anos. Antigamente víamos o herói sacando a arma para salvar outros personagens, hoje vemos bandidos sacando armas, matando e não sendo punidos. A mídia explora o tema da violência tanto em novelas, como em filmes, em esportes, etc. E, de certa forma, influencia a sociedade na aceitação destes comportamentos anti-sociais.
A exposição à violência televisiva pode confundir a capacidade de julgamento moral das crianças, é por isto que devemos evitar expor nossos filhos a este tipo de estímulo (programas de televisão cujo índice de violência seja exagerado), porém, se isto for inevitável é importante que se converse com as crianças a respeito do que foi assistido, pontuando-se que certas atitudes não são adequadas e aceitáveis, principalmente em casos em que um comportamento agressivo ou perverso do personagem não recebe punição.

O conteúdo violento dos programas de televisão tem um efeito prejudicial sobre o bem-estar psicológico das crianças e tambem dos adultos, porém esta não é a principal razão da agressividade e da violência em nossa sociedade.

O principal motivo da agressividade em crianças é a influência que sofrem de seu ambiente real, como por exemplo, guerras, altos índices de criminalidade nas proximidades de seu lar, fazendo com que a criança se sinta permanentemente ameaçada. Outras causas que podem possibilitar a agressividade em crianças é a desagregação familiar, abuso infantil, desemprego, pobreza, entre outros.
Concluindo, não podemos negar o impacto da mídia para explicar atos individuais de violência, porém este fator não é o principal já que a criança tende a reproduzir os atos de violência que assiste na televisão apenas em casos de desajuste em sua própria família ou do ambiente em que vive.
A questão principal é a ponte que a criança estabelece entre a sua própria realidade (relacionada a fatores sociais) e a que assiste na televisão.

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